domingo, 10 de janeiro de 2016

IPCA encerrou 2015 com a maior alta desde 2002







IPCA encerrou 2015 com a maior alta desde 2002


O IPCA encerrou o ano passado registrando variação de 0,96% em dezembro, acumulando assim alta de 10,67% em 2015, a maior variação do índice desde 2002 (12,53%). Parte importante dessa alta é resultado das elevações de itens administrados que subiram no ano 18,06% - contribuindo assim com 4,4 p.p. na inflação do ano. Além dos itens administrados, os preços de alimentação apresentaram importante contribuição no ano, registrando elevação de 12,01% - também maior desde 2002 – e assim contribuíram com 3 p.p.
Entre os protagonistas da inflação no ano, destacam-se as fortes elevações de itens administrados. Ano passado acabou sendo marcado, assim, pelo realinhamento de preços de várias tarifas, como no caso de ônibus urbano, energia elétrica, gasolina e gás de botijão. Esse realinhamento fez com que o grupo Administrados registrassem elevação de 18,06% no ano, chegando à maior variação registrada da série desde 2001.
Entre os preços livres, o comportamento de alimentação também chamou atenção: no começo do ano, pressões por conta da crise hídrica e da depreciação cambial, elevaram os preços desse grupo, que mal registrou deflação no ano – como ocorreu em todos os anos desde 2012, em geral em meados do ano. Além desses efeitos, safras menores de tubérculos e efeitos secundários das altas de energia elétrica também pressionaram esse grupo. No segundo semestre, especialmente nos últimos meses do ano, os efeitos do El Niño, da nova rodada de depreciação cambial e das safras menores de alguns produtos voltaram a elevar os preços de alimentação, que novamente registraram alguns recordes mensais de alta.

IPCA alimentação anual 2001-2015

 IPCA alimentação anual 2001-2015
IPCA alimentação anual 2001-2015


Também é possível ver o efeito do câmbio nesse grupo analisando a forte elevação dos principais itens influenciados pelo câmbio, como panificados e óleos.
Entre os outros componentes do IPCA, destacamos o comportamento de Serviços, que registraram alta de 8,12% no ano, ou seja, praticamente mantendo a mesma tendência em relação ao observado no ano anterior e reforçando a leitura de forte rigidez desse grupo, que não registra variações abaixo de 8% desde 2010.

IPCA alimentação influenciada pelo câmbio anual e IPCA Serviços anual entre 2001-2015

IPCA alimentação influenciada pelo câmbio anual e IPCA Serviços anual entre 2001-2015
IPCA alimentação influenciada pelo câmbio anual e IPCA Serviços anual entre 2001-2015


No caso desses preços, os mecanismos de reajustes são bastante inerciais, isto é, dependem muito da inflação passada. Alguns itens, como mensalidades escolares, são reajustados explicitamente baseados na inflação passada, enquanto outros, como manicure, têm regras implícitas no mesmo sentido. Apesar disso, o rendimento do trabalho tende a ter dois efeitos sobre os preços desse grupo: o primeiro é o efeito sobre o custo de ofertar o serviço, que varia na mesma direção do rendimento do trabalho nesse setor (além de pressões como energia elétrica, aluguel, custo dos produtos) e o segundo é o efeito sobre a demanda de serviços, que varia também na mesma direção do rendimento do trabalho na economia. Como o rendimento do trabalho registrou intensa desaceleração no ano passado, alguma desaceleração desse grupo já deveria ter sido notada. No entanto, esse efeito só é mais visível em itens que são calculados via Pesquisa Mensal de Emprego (PME), isto é, apenas nos itens que são uma “releitura” dos dados da PME. Em outros serviços, pouco efeito da desaceleração do rendimento é notado, ainda que a leitura seja de que isso será diferente neste ano, quando poderemos verificar com mais clareza a desaceleração desse grupo como um todo.
Uma possível linha de argumentação para justificar a rigidez de serviços mesmo diante da piora das condições do mercado de trabalho é que esse efeito baixista sobre preços ainda não teve tempo de ocorrer – é essa a argumentação apresentada no último Relatório Trimestral de Inflação do BC. Outra possibilidade é que os efeitos das elevações de tarifas, impostos e contribuições foram muito intensas sobre o setor, o que impediu uma desaceleração. Ainda é possível argumentar que o processo inercial no Brasil está mais relevante que no passado, tendo em vista as elevadas taxas da inflação dos últimos anos e a perspectiva de resultados acima do centro da meta nos próximos. O que justifica a rigidez de serviços no ano passado é um pouco de todos esses fatores: o efeito do mercado de trabalho sobre a inflação é cumulativo e ainda vai atingir o pico. Além disso, não se pode negar que o setor sofreu com várias elevações importantes em seus custos, o que diminuiu a margem do setor e mitigou ao menos parcialmente um processo mais importante de desaceleração. Ainda assim, é verdade que alguns setores já anunciam altas expressivas para 2016 (como no setor educacional), isto é, a inércia continua tendo um forte impacto sobre a formação de preços desse setor e é um risco a ser monitorado. Ainda assim, tendo em vista a deterioração da atividade, acredita-se que esse grupo irá desacelerar ao longo do ano, principalmente quando olha-se para itens menos essenciais, como entretenimento e serviços pessoais.
Por fim, no caso de duráveis, observa-se pequena aceleração no ano passado, passando de uma alta de 3% em 2014 para outra de 3,27%. O resultado pode parecer tímido quando lembra-se que o câmbio desvalorizou 49,6% no período e que houve elevação de Imposto sobre Produtos Importados (IPI) no começo do ano. No entanto, essa variação explicita os estoques elevados desse setor e o ritmo muito fraco na atividade industrial. Ainda assim, não podemos dizer que o repasse cambial tenha ficado muito abaixo daquele observado nos últimos anos: basta analisar o efeito sobre os alimentos ligados ao câmbio e a alta observada na cadeia de químicos, como produtos de beleza e limpeza, que subiram pouco mais de 9% nesse ano.
Para 2016, espera-se que alguns dos principais vetores altistas do ano passado não estejam mais presentes, contribuindo para a desaceleração do índice como um todo. O realinhamento dos preços de tarifas já aconteceu e não contempla-se no cenário uma desvalorização cambial da mesma magnitude da observada em 2015. Os administrados devem subir pouco menos de 7% no ano, beneficiados pelas melhores condições de energia elétrica e pela ausência de reajustes altistas de gasolina. Além disso, alimentação também deve desacelerar dos patamares atuais, com menos efeito cambial e com a continuidade de preços externos em patamares muito baixos. No entanto, alguns riscos estão presentes no cenário, como o risco de alimentação mais elevada por conta de eventos climáticos adversos, elevação de tarifas e contribuições regionais, e, mais importante, o risco do elevado nível de inflação registrado em 2015 afetar de maneira mais importante do que a desaceleração da economia as decisões dos formadores de preços.










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